Mostrando postagens com marcador planalto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador planalto. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Marcadores:
Alfange,
Centro Histórico,
Cidade,
história,
Irene,
paróquias,
planalto,
Ribeira,
ribeirinha,
Santa Iria,
Santarém,
Scallabis,
Tejo,
urbanísticas,
Urbe
Breve História de Santarém
Com as invasões dos chamados povos «bárbaros», é conquistada pêlos Alanos e Vândalos, tomando o nome de Escálabis. Também os Suevos foram senhores de Santarém, a quem chamavam Calabicastro, designação que se mantém quando, no século VII, aqui se fixam os Visigodos. Após o martírio de Santa Iria, ou Irene, que terá ocorrido no segundo quartel do século VII, já então cristianizados os Visigodos, o local toma o nome de Sancta Irena ou Sancta Herena. Os Mouros tomaram o Castelo de Sancta Irena, em 715, e logo lhe mudaram o nome para Chantarin, ou Chantirein, ou ainda Xantarin. D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, conquistou Santarém aos mouros — pedra angular da nossa reconquista — no dia 15 de Março de 1147, cumprindo, desta forma, o objectivo prioritário de fixar a fronteira da reconquista na linha do Tejo.A fundação da cidade de Santarém reporta à mitologia greco-romana e cristã, reconhecendo-se nos nomes de Habis e de Irene, as suas origens míticas. Os primeiros vestígios documentados da ocupação humana remontam ao século VIII a.C.. A população do povoado teria colaborado com os colonizadores romanos, quando estes aportaram à cidade em 138 a. C. e a designaram como Scallabis. Durante este período tornou-se no principal entreposto comercial do médio Tejo e num dos mais importantes centros administrativos da província Lusitânia.Nos quatro séculos de ocupação islâmica que se -seguiram, a urbe viu renascer o seu papel estratégico-militar, mas, também, cultural e artístico, tendo aqui vivido alguns dos mais importantes poetas e trovadores do mundo árabe.O Rei Afonso VI de Leão concedeu-lhe o seu primeiro foral em 1095. Reconquistada, em 1147, por D. Afonso Henriques, este concedeu-lhe novo foral em 1179.Durante os séculos XIV e XV o ambiente palaciano que aqui se vivia emprestou-lhe uma notoriedade cultural relevante, nela se concentrando importantes trovadores e jograis, alguns naturais de Santarém. No Século XVI, encontram-se ou relacionam-se com Santarém grandes vultos da ciência náutica, das artes e das letras, como Pedro Álvares Cabral (Descobridor do Brasil), Luís de Camões (Poeta Lírico), Fernão Lopes Castanheda (Historiador dos Descobrimentos), e Martim Afonso de Melo (1º Europeu que chegou à China por mar).
O Terramoto de 1755 destruiu grande parte do património mais notável da Vila, em particular igrejas e conventos.
No contexto das Invasões Francesas e da Guerra Peninsular, mais uma vez, Santarém assumiu um papel estratégico-militar fundamental, mas viu grande parte do seu património mais significativo ser destruído e saqueado pelo vandalismo dos ocupantes.À semelhança de outras cidades amuralhadas, o Centro Histórico de Santarém é constituído por uma teia de ruas estreitas e sinuosas. Ruas que apresentam linhas e cores inesperadas, becos, arcos, calçadas e escadinhas que se adaptam ao ondulado do planalto e da encosta. Durante o Século XIX, Santarém voltou a estar ligada a alguns dos principais acontecimentos da História do nosso País. Para além de servir de palco das Guerras Penínsulares (quartel-general das III Invasões Francesas lideradas pelo General Massena), e sitiada pelo Duque de Wellington em 1810-11, (acontecimentos dos quais nos ficou uma narrativa de viagens do médico escocês e oficial do exército inglês, John Gordon Smith, extraordinário relato contemporâneo designado "Santarém or sketches of manners and costums in the interior of Portugal"), a urbe foi uma das cidades de primeira linha das lutas liberais. Sá da Bandeira (Estadista e Militar), Passos Manuel (Estadista e Militar), Braamcamp Freire (Político) são exemplos de liberais nascidos e ligados a Santarém.
Refira-se o papel de Santarém na opção democrática do Portugal actual, traduzido no forte apoio ao movimento libertador do 25 de Abril de 1974, liderado pelas tropas do Capitão Salgueiro Maia.
Pela sua projecção histórica, bem se pode dizer, com Almeida Garrett, que Santarém é "um livro de pedra em que a mais interessante e mais poética das nossas crónicas está escrita". É natural que a cidade de Santarém seja Património Mundial, pois poucos cidades podem-se gabar de ter tamanha riqueza cultural e um vasto património que ainda nos dias de hoje resiste ao tempo.
Percorrendo a cidade, pórticos e rosáceas, arcarias e frestas, elementos decorativos de traço ogival, janelas manuelinas, cunhais da renascença, escudetes afonsinos, torres e cúpulas, revelam-nos um núcleo urbano em que o civil e o religioso convivem e se entrelaçam. Os inúmeros e valiosos exemplares da arte gótica conferiram-lhe o epíteto de “Capital do Gótico”. Aqui, jamais o arqueólogo, historiador, artista ou simples passante, deixará de se sentir arrebatado.
Nesta "Acrópole Ribatejana", a Porta do Sol, com o seu jardim e miradouro, é ex-libris. Para Sul ficam o Tejo e os campos férteis da Lezíria, marcada por extensos vinhedos em traços de geometria aperfeiçoada, enquanto para Norte, já no Bairro, são os olivais que preenchem a paisagem. Olivais que bordam, na Azóia de Baixo, a casa bem preservada onde viveu o historiador e romancista Alexandre Herculano, aqui conhecido como "O Azeiteiro". Continuando a subir, até aos limites do concelho, depara-se-nos o manto florestal, prenúncio da paisagem carsa. É o domínio dos grandes maciços calcários do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, dos algares, das grutas e dos pequenos recantos que deslumbram quem por aqui se aventura.

O Terramoto de 1755 destruiu grande parte do património mais notável da Vila, em particular igrejas e conventos.
No contexto das Invasões Francesas e da Guerra Peninsular, mais uma vez, Santarém assumiu um papel estratégico-militar fundamental, mas viu grande parte do seu património mais significativo ser destruído e saqueado pelo vandalismo dos ocupantes.À semelhança de outras cidades amuralhadas, o Centro Histórico de Santarém é constituído por uma teia de ruas estreitas e sinuosas. Ruas que apresentam linhas e cores inesperadas, becos, arcos, calçadas e escadinhas que se adaptam ao ondulado do planalto e da encosta. Durante o Século XIX, Santarém voltou a estar ligada a alguns dos principais acontecimentos da História do nosso País. Para além de servir de palco das Guerras Penínsulares (quartel-general das III Invasões Francesas lideradas pelo General Massena), e sitiada pelo Duque de Wellington em 1810-11, (acontecimentos dos quais nos ficou uma narrativa de viagens do médico escocês e oficial do exército inglês, John Gordon Smith, extraordinário relato contemporâneo designado "Santarém or sketches of manners and costums in the interior of Portugal"), a urbe foi uma das cidades de primeira linha das lutas liberais. Sá da Bandeira (Estadista e Militar), Passos Manuel (Estadista e Militar), Braamcamp Freire (Político) são exemplos de liberais nascidos e ligados a Santarém.
Refira-se o papel de Santarém na opção democrática do Portugal actual, traduzido no forte apoio ao movimento libertador do 25 de Abril de 1974, liderado pelas tropas do Capitão Salgueiro Maia.
Pela sua projecção histórica, bem se pode dizer, com Almeida Garrett, que Santarém é "um livro de pedra em que a mais interessante e mais poética das nossas crónicas está escrita". É natural que a cidade de Santarém seja Património Mundial, pois poucos cidades podem-se gabar de ter tamanha riqueza cultural e um vasto património que ainda nos dias de hoje resiste ao tempo.
Percorrendo a cidade, pórticos e rosáceas, arcarias e frestas, elementos decorativos de traço ogival, janelas manuelinas, cunhais da renascença, escudetes afonsinos, torres e cúpulas, revelam-nos um núcleo urbano em que o civil e o religioso convivem e se entrelaçam. Os inúmeros e valiosos exemplares da arte gótica conferiram-lhe o epíteto de “Capital do Gótico”. Aqui, jamais o arqueólogo, historiador, artista ou simples passante, deixará de se sentir arrebatado.
Nesta "Acrópole Ribatejana", a Porta do Sol, com o seu jardim e miradouro, é ex-libris. Para Sul ficam o Tejo e os campos férteis da Lezíria, marcada por extensos vinhedos em traços de geometria aperfeiçoada, enquanto para Norte, já no Bairro, são os olivais que preenchem a paisagem. Olivais que bordam, na Azóia de Baixo, a casa bem preservada onde viveu o historiador e romancista Alexandre Herculano, aqui conhecido como "O Azeiteiro". Continuando a subir, até aos limites do concelho, depara-se-nos o manto florestal, prenúncio da paisagem carsa. É o domínio dos grandes maciços calcários do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, dos algares, das grutas e dos pequenos recantos que deslumbram quem por aqui se aventura.

Marcadores:
Alfange,
Centro Histórico,
Cidade,
história,
Irene,
paróquias,
planalto,
Ribeira,
ribeirinha,
Santa Iria,
Santarém,
Scallabis,
Tejo,
urbanísticas,
Urbe
Do Centro Histórico de Santarém até ao Tejo
O Centro Histórico
O Centro Histórico de Santarém é o maior núcleo antigo de Portugal, ocupando uma área de 1,42 Km2, o que corresponde à quase totalidade do tecido urbano consolidado.
As construções tiveram que obedecer os contornos altos e baixos do planalto por um assentamento dos vários núcleos nos locais onde a estabilidade geológica oferecia maior segurança.
A morfologia urbana de Santarém obedece a uma lógica de desenvolvimento urbano linear e orgânico que testemunha as diferentes ocupações que a cidade conheceu ao longo dos seus três milénios de história.
Do urbanismo romano, ficou o traçado perpendicular das duas artérias principais da cidade, para além da estrutura rectilínea das vias secundárias do Bairro do Pereiro, vestígio provável do cardus e do decumanus.
A influência urbana muçulmana está presente quer no subsolo, quer ainda no traçado sinuoso de algumas ruas e vielas, nos becos ou nos pátios interiores, espaços de "descompressão" urbana onde o público e o privado se relacionam sem fronteiras defenidas.
Os largos e as praças, são por sua vez um legado cristão, assumindo-se como lugares de acontecimento por excelência. Estes locais evocam as realidades vivenciais da cidade medieval e moderna, uma vez que aqui afluíam as pessoas, os bens e as crenças e aqui se efectuavam as reuniões políticas, económicas, sociais ou religiosas, quer locais quer nacionais.
A estrutura urbana de Santarém complementa-se pela variedade e qualidade da linguagem estética das fachadas, a originalidade de varandas, telhados, portas, janelas ou revestimentos cerâmicos ímpares no País.
Analizando a situação geográfica de Santarém conseguimos perceber a importância estratégica desta cidade, não só pelo facto de se situar num planalto mas também pelas inumeras vantagens do rio Tejo, entre elas a navegabilidade.
Antes das vias rodo e ferroviárias rasgarem os solos virgens do nosso País eram as vias fluviais (em especial as mais facilmente navegáveis) que se assumiam como veículos de comunicação por excelência, fundindo os dois estilos de vida que, desde sempre, caracterizaram a Nação: o do continente agrícola e o do litoral marítimo.
Nesta perspectiva, é facilmente compreensível a importância que o Tejo teve na história de Santarém.
A sua vasta extensão e fácil navegabilidade foram primordiais na fundação e desenvolvimento futuro da cidade, uma vez que a urbe se assumiu como o mais importante porto do Tejo médio com os Romanos, os Muçulmanos e os Cristãos. Em especial desde que, no século XVI, Lisboa se tornou capital do Reino e aumentou a sua preponderância económica, que as comunidades ribeirinhas de Santarém não mais deixaram de crescer, em franca comunhão com o Tejo e com os seus vastos recursos.
No passado os monarcas e o respectivo séquito elegiam o barco como meio de transporte privilegiado e o rio Tejo como via essencial. Santarém era, até ao séc. XVI, um dos destinos privilegiados das (frequentes) deslocações da Corte, o que vem realçar o papel político desta via fluvial. Além do que, sendo o Tejo o maior rio da Península Ibérica, várias vezes assumiu um papel de primeira nas relações políticas entre Portugal e Espanha, sobretudo durante o período Filipino (1580-1640), altura em que os dois Estados Ibéricos estiveram unidos.
Marcadores:
Alfange,
Centro Histórico,
Cidade,
história,
Irene,
paróquias,
planalto,
Ribeira,
ribeirinha,
Santa Iria,
Santarém,
Scallabis,
Tejo,
urbanísticas,
Urbe
O planalto e as zonas ribeirinhas
Planalto e as zonas Ribeirinhas
É a relação entre estas duas estruturas urbanísticas que confere o cunho de originalidade a esta cidade do Ribatejo português.
O planalto é o lugar de fixação de comunidades agro-pastoris, adquirindo cedo uma função estratégico-militar (função materializada depois com a constituição do oppidum romano ou da Alcáçova muçulmana), a zona baixa erigir-se-ia como área de interpenetração de povos mediterrânicos, orientais e atlânticos. De vocação piscatória, comercial e industrial por excelência, esta área está estreitamente ligada ao rio e posicionada geograficamente por forma a beneficiar da protecção da cidadela.
Seria nesta área ribeirinha que nasceriam dois núcleos urbanos, cuja fundação parece indissociável da mitologia greco-romana e cristã da cidade de Santarém e que outrora se ligavam à parte alta através de uma complexa rede viária e de um sistema gigantesco de fortificações: o Alfange e a Ribeira.
A tradição historiográfica tem relacionado a origem do bairro de Alfange com a opção de Abidis, descendente mitológico de Ulisses, de aqui fundar Scallabis, uma importante urbe do curso médio do Tejo e base de assentamento da realeza local, em função da semelhança geográfica com Roma (as sete colinas). O certo e que o peso histórico de Alfange parece ter sido considerável antes do séc. XIV, se atendermos às três paróquias que aí se implantaram e cuja ancestralidade é hoje comprovada. De um primitivo porto fluvial, Alfange transformar-se-ia numa importante comunidade piscatória, cujos recursos permitiram fundar a Igreja paroquial de São Pedro, "o Novo", ou dos Pescadores. No séc. XIV, porém, parece ter perdido a sua anterior fulgurância, caindo numa estagnação irreversível.
Na Ribeira, por seu lado, nascerá o nome de Santarém, em função de aí ter sido sepultada Santa Iria ou Irene (séc. VII-VIII), Virgem do martirológico cristão e cujo étimo serviria para substítuir a antiga designação de Scallabis. Bairro burguês e industrial, cresceu a partir do séc. XIV, quando o aumento do tráfego fluvial e terrestre fez dela uma peça fundamental na economia da cidade e um centro vital.
É a relação entre estas duas estruturas urbanísticas que confere o cunho de originalidade a esta cidade do Ribatejo português.
O planalto é o lugar de fixação de comunidades agro-pastoris, adquirindo cedo uma função estratégico-militar (função materializada depois com a constituição do oppidum romano ou da Alcáçova muçulmana), a zona baixa erigir-se-ia como área de interpenetração de povos mediterrânicos, orientais e atlânticos. De vocação piscatória, comercial e industrial por excelência, esta área está estreitamente ligada ao rio e posicionada geograficamente por forma a beneficiar da protecção da cidadela.
Seria nesta área ribeirinha que nasceriam dois núcleos urbanos, cuja fundação parece indissociável da mitologia greco-romana e cristã da cidade de Santarém e que outrora se ligavam à parte alta através de uma complexa rede viária e de um sistema gigantesco de fortificações: o Alfange e a Ribeira.
A tradição historiográfica tem relacionado a origem do bairro de Alfange com a opção de Abidis, descendente mitológico de Ulisses, de aqui fundar Scallabis, uma importante urbe do curso médio do Tejo e base de assentamento da realeza local, em função da semelhança geográfica com Roma (as sete colinas). O certo e que o peso histórico de Alfange parece ter sido considerável antes do séc. XIV, se atendermos às três paróquias que aí se implantaram e cuja ancestralidade é hoje comprovada. De um primitivo porto fluvial, Alfange transformar-se-ia numa importante comunidade piscatória, cujos recursos permitiram fundar a Igreja paroquial de São Pedro, "o Novo", ou dos Pescadores. No séc. XIV, porém, parece ter perdido a sua anterior fulgurância, caindo numa estagnação irreversível.
Na Ribeira, por seu lado, nascerá o nome de Santarém, em função de aí ter sido sepultada Santa Iria ou Irene (séc. VII-VIII), Virgem do martirológico cristão e cujo étimo serviria para substítuir a antiga designação de Scallabis. Bairro burguês e industrial, cresceu a partir do séc. XIV, quando o aumento do tráfego fluvial e terrestre fez dela uma peça fundamental na economia da cidade e um centro vital.
Bairros da Mouraria ce Judiaria
Bairros de Mouros e Judeus
Os bairros arrabaldinos da Judiaria e da Mouraria correspondem a espaços contidos no interior dos muros onde, entre o século XIV e 1497, se instalaram as populações tidas como minorias.
O bairro da Judiaria encontrava-se adjacente às muralhas do "Aipram" (Alporão), enquanto que o da Mouraria se localizava exteriormente à primitiva cerca do planalto, sendo só após a construção da cerca femandina que veio a ser inserido no interior do recinto amuralhado.
A freguesia de S. Martinho, toponímia marcada pelo largo do mesmo nome, incluía a residência de mercadores do Aipram (palavra árabe que significa terreno elevado), zona artesanal de tendas e de intensa actividade comercial, integrando nas suas imediações o bairro da Judiaria, de acesso possível pela ainda hoje existente Travessa da Judiaria.
As ruas e becos de traçado irregular, construções reflectindo a cultura e a religião das populações então marginalizadas, privilegiavam o interior e estão agora geralmente ocupados por habitantes de parcas posses, num rico tecido urbano infelizmente marcado pelo abandono e pela falta de reabilitação construtiva e social.
Não obstante, trata-se de um património cultural que é digno de visita, valorizando-se fachadas, cantarias, telhados de "tesouro" ou "tesoura", a toponímia sugestiva de antigas actividades e utilizações: localizadas na actual freguesia do Salvador, a Travessa da Mouraria, o Beco dos Agulheiros ou a Travessa dos Surradores, onde se destaca a residência (n°. 9) conhecida como Casa dos Mascarões, em cujo primeiro piso estão representadas caras de animais fantásticos, em jeito de mísulas. Os muros caiados de branco deixam adivinhar a primazia concedida aos pátios interiores, lembrança urbana da antiga ocupação árabe, reforçada ainda pela presença de algumas pequenas hortas e pomares.
Da Mouraria, diz Angela Beirante: "À retaguarda da Câmara, ficava a chamada travessa por Detrás dos Açougues (correspondente à Rua 15 de Março), ladeada de pardieiros e lagares. Entre os proprietários de lagares contava-se o Convento de Alcobaça e um rico mercador (...). Marvila tinha aí alguns pardieiros e nessa travessa vivia um tabelião, um latoeiro e um ourives.
Aporta de Atamarma integrava um complexo de artérias e a sua comunicação com a Praça fazia-se pelo menos por duas ruas (...) A rua das Tendeiras que saía da Praça do Pelourinho é identificada (...) com a rua das Frigideiras, nome que ainda se mantém.
Os bairros arrabaldinos da Judiaria e da Mouraria correspondem a espaços contidos no interior dos muros onde, entre o século XIV e 1497, se instalaram as populações tidas como minorias.
O bairro da Judiaria encontrava-se adjacente às muralhas do "Aipram" (Alporão), enquanto que o da Mouraria se localizava exteriormente à primitiva cerca do planalto, sendo só após a construção da cerca femandina que veio a ser inserido no interior do recinto amuralhado.
A freguesia de S. Martinho, toponímia marcada pelo largo do mesmo nome, incluía a residência de mercadores do Aipram (palavra árabe que significa terreno elevado), zona artesanal de tendas e de intensa actividade comercial, integrando nas suas imediações o bairro da Judiaria, de acesso possível pela ainda hoje existente Travessa da Judiaria.
As ruas e becos de traçado irregular, construções reflectindo a cultura e a religião das populações então marginalizadas, privilegiavam o interior e estão agora geralmente ocupados por habitantes de parcas posses, num rico tecido urbano infelizmente marcado pelo abandono e pela falta de reabilitação construtiva e social.
Não obstante, trata-se de um património cultural que é digno de visita, valorizando-se fachadas, cantarias, telhados de "tesouro" ou "tesoura", a toponímia sugestiva de antigas actividades e utilizações: localizadas na actual freguesia do Salvador, a Travessa da Mouraria, o Beco dos Agulheiros ou a Travessa dos Surradores, onde se destaca a residência (n°. 9) conhecida como Casa dos Mascarões, em cujo primeiro piso estão representadas caras de animais fantásticos, em jeito de mísulas. Os muros caiados de branco deixam adivinhar a primazia concedida aos pátios interiores, lembrança urbana da antiga ocupação árabe, reforçada ainda pela presença de algumas pequenas hortas e pomares.
Da Mouraria, diz Angela Beirante: "À retaguarda da Câmara, ficava a chamada travessa por Detrás dos Açougues (correspondente à Rua 15 de Março), ladeada de pardieiros e lagares. Entre os proprietários de lagares contava-se o Convento de Alcobaça e um rico mercador (...). Marvila tinha aí alguns pardieiros e nessa travessa vivia um tabelião, um latoeiro e um ourives.
Aporta de Atamarma integrava um complexo de artérias e a sua comunicação com a Praça fazia-se pelo menos por duas ruas (...) A rua das Tendeiras que saía da Praça do Pelourinho é identificada (...) com a rua das Frigideiras, nome que ainda se mantém.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Simbolos da cidade
Vale a pena ver:
O Jardim das Portas do Sol, construído no local de um antigo castelo mourisco e com os seus jardins rodeados pelas velhas muralhas medievais da cidade, a vista sobre o rio Tejo e sobre a vasta lezíria poderia muito bem constituir um emblema desta agradável capital distrital do Ribatejo.Outro símbolo da cidade são os campinos, com as suas roupas típicas e coloridas que se reunem aqui na FNA (feira nacional da Agricultura) em Santarém no CNEMA em especial, durante a temporada das touradas ou em Junho, quando Santarém recebe a maior feira agrícola do país.Neste mesmo terreno da conhecida feira existem restaurantes durante onde, algumas das especialidades gastronómicas do Ribatejo, região famosa pela criação de touros e cavalos.A cidade tem razão para se orgulhar do seu passado: um importante centro durante a ocupação dos romanos, foi eleita como praça-forte pelos mouros e, mais tarde, foi escolhida pelos reis de Portugal para muitas reuniões das Cortes.Na parte velha da cidade (Centro Histórico) pode visitar-se a Igreja do Seminário, de estilo barroco e construída em 1640, com um tecto de madeira pintado e decorações de mármore e ouro; ou a Igreja da Graça, do século XIV e com uma maravilhosa janela esculpida de uma única peça, que contém a pedra tumular de Pedro Álvares Cabral, o navegador que descobriu o Brasil.
O Museu Arqueológico São João de Alporão, é bastante interessante, com muitas peças dos períodos romano e mourisco e com o túmulo, elaboradamente esculpido, de Duarte de Meneses, um heróico governador de Portugal em Marrocos, que se diz conter o que pôde ser salvo após a sua morte violenta às mãos dos árabes: um único dente.
Também vale a pena visitar:
Estação de Caminhos de Ferro, com os seus painéis de azulejo policromos incidentes sobre temática local e regional, e a secção museológica da C.P., integrando um notável espólio para a compreensão da história dos caminhos-de-ferro em Portugal.
O Jardim das Portas do Sol, construído no local de um antigo castelo mourisco e com os seus jardins rodeados pelas velhas muralhas medievais da cidade, a vista sobre o rio Tejo e sobre a vasta lezíria poderia muito bem constituir um emblema desta agradável capital distrital do Ribatejo.Outro símbolo da cidade são os campinos, com as suas roupas típicas e coloridas que se reunem aqui na FNA (feira nacional da Agricultura) em Santarém no CNEMA em especial, durante a temporada das touradas ou em Junho, quando Santarém recebe a maior feira agrícola do país.Neste mesmo terreno da conhecida feira existem restaurantes durante onde, algumas das especialidades gastronómicas do Ribatejo, região famosa pela criação de touros e cavalos.A cidade tem razão para se orgulhar do seu passado: um importante centro durante a ocupação dos romanos, foi eleita como praça-forte pelos mouros e, mais tarde, foi escolhida pelos reis de Portugal para muitas reuniões das Cortes.Na parte velha da cidade (Centro Histórico) pode visitar-se a Igreja do Seminário, de estilo barroco e construída em 1640, com um tecto de madeira pintado e decorações de mármore e ouro; ou a Igreja da Graça, do século XIV e com uma maravilhosa janela esculpida de uma única peça, que contém a pedra tumular de Pedro Álvares Cabral, o navegador que descobriu o Brasil.
O Museu Arqueológico São João de Alporão, é bastante interessante, com muitas peças dos períodos romano e mourisco e com o túmulo, elaboradamente esculpido, de Duarte de Meneses, um heróico governador de Portugal em Marrocos, que se diz conter o que pôde ser salvo após a sua morte violenta às mãos dos árabes: um único dente.
Também vale a pena visitar:
Estação de Caminhos de Ferro, com os seus painéis de azulejo policromos incidentes sobre temática local e regional, e a secção museológica da C.P., integrando um notável espólio para a compreensão da história dos caminhos-de-ferro em Portugal.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Zona Ribeirinha
Santa Iria da Ribeira de Santarém
A freguesia de Santa Iria da Ribeira de Santarém tem uma área de 14,488 e fica situada no extremo oriental do concelho de Santarém, integrando o seu Centro Histórico.A freguesia deve o seu nome ao facto de estar situada junto ao Rio Tejo (Ribeira de Santarém), sendo que a evocação do nome Santa Iria impôs-se à medida que o nome antigo de "Scallabis" foi desaparecendo, ficando assim "Shantarim", Santa Iria da Ribeira de Santarém.A freguesia resulta da fusão dos seus principais bairros medievais, Seserigo, palhais e Bairro do Conde. A actual Santa Iria da Ribeira de Santarém é formada pelas antigas paróquias de Santiago, Santa Cruz e São Mateus.
Esta freguesia expandiu-se, entre os séculos XII e XIV, devido à importância comercial e artesanal que assumia na altura, importância esta derivada sobretudo da sua proximidade ao Rio Tejo, de que podia usufruir, quer em termos de actividades marítimas e fluviais, quer também por se situar junto a uma das principais vias terrestres direccionadas para o Norte do país. No século XVIII, continuava a ser uma vila importante, embora mais virada para as actividades manufactureiras e mercantis. O maior crescimento que Santa Iria da Ribeira de Santarém conheceu, ocorreu no século XIX, com o registo de grande crescimento da população da cidade, o que levou algumas pessoas a procurarem esta freguesia para residirem.
Com a chegada dos caminhos-de-ferro a Santarém, em 1861, a Ribeira acelera a perda da sua importância estratégica e económica, constituindo hoje um conjunto urbano de grande dignidade, coroado pela Praça Oliveira Marreca, espaço cuja reabilitação se impõe.Dando continuidade a este núcleo ribeirinho, a comunidade piscatória do Alfange (antigo Alfanxe) alarga a zona Ribeirinha, permitindo a ligação fluvial com as Caneiras, local apetecível pela excelente gastronomia tradicional e pela oportunidade de conhecer o que ainda subsiste das características habitações da antiga aldeia palafita, com as suas cores garridas e a articulação com o movimento das águas tejanas. Mais recentemente, tem-se vindo a assistir ao desenvolvimento do Projecto Al-Margem, cujo objectivo prioritário é devolver a Santarém um espaço de lazer, turismo e cultura, que reaproxime também a população do Planalto ao Rio, designadamente através da intervenção nos núcleos da Ribeira de Santarém e Alfange.
Marcadores:
Alfange,
Centro Histórico,
Cidade,
história,
Irene,
paróquias,
planalto,
Ribeira,
ribeirinha,
Santa Iria,
Santarém,
Scallabis,
Tejo,
urbanísticas,
Urbe
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Mercado Municipal de Santarém
Mercado Municipal
Foi inaugurado em 1930, o Mercado Municipal de Santarém foi edificado segundo o projecto do Arquitecto Cassiano Branco, numa fase precoce da sua carreira, ainda distante do modernismo que posteriormente viria a marcar decisivamente a sua obra. A área central do mercado apresenta uma estrutura em ferro à vista o que contrasta com a decoração exterior das fachadas, em alvenaria, onde predominam os motivos da arquitectura tradicional.
Foi inaugurado em 1930, o Mercado Municipal de Santarém foi edificado segundo o projecto do Arquitecto Cassiano Branco, numa fase precoce da sua carreira, ainda distante do modernismo que posteriormente viria a marcar decisivamente a sua obra. A área central do mercado apresenta uma estrutura em ferro à vista o que contrasta com a decoração exterior das fachadas, em alvenaria, onde predominam os motivos da arquitectura tradicional.

Os painéis de azulejos nas fachadas representam actividades da região e a venda junto ao mercado.
Para além da beleza arquitectónica aqui encontrará peixe fresco, fruta e legumes frescos provenientes da região.
O edifício é em forma quadricular, em volta dos feirantes há várias lojas, talhos e cafés que dão acesso ao interior e exterior do mercado.
O mercado hoje funciona há meio gás, devido a grande quantidades de superfícies comerciais, esta actividade comercial está a desaparecer.
Já existe muitos projectos para aquele espaço, em alguns desses projectos é ter ali um posto do turismo, comércio e produção de artesanato com um horário de funcionamento alargado.
Assinar:
Postagens (Atom)